Saiba as vantagens e desvantagens que a crise econômica trouxe para o setor

A crise econômica e política levou estagnação ao mercado imobiliário. O segmento, que tinha um histórico muito bom em anos anteriores, sofreu muito e agora caminha lentamente para a retomada. Especialistas explicam os impactos gerados pela situação nacional e garantem: o problema pode trazer vantagens para o setor.

O economista Hélio Hallite explica que a crise atingiu primeiramente um dos mais importantes setores da economia, que é o da construção civil, o que acabou gerando reflexos maiores. “Esse setor norteia os investimentos e reflete nos serviços e no comércio”, explica ele.

O advogado Fernando Zito, especialista em Direito Imobiliário, analisa como desvantagens a redução de lançamentos de novos empreendimentos, o aumento do desemprego na área da construção civil. “Em razão da crise e desaquecimento da economia toda cadeia foi afetada, desde o incorporador até o consumidor final”.

O economista José Pascoal Vaz lembra que o crédito bancário foi reduzido e o desemprego elevado tirou compradores do mercado. “Houve perda de renda, as empreiteiras com problemas na Lava Jato foram muito prejudicadas, não só para obter empréstimos, como pela desconfiança dos compradores em potencial. O clima de negócios arrastou todo mundo para a cautela”.

Vantagens

O economista Eduardo Velho, vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil (OEB), acha que a grande vantagem é com a crise é o aprendizado, sejam em qual for o setor. Para ele, as empresas aprendem que é necessário planejamento constante, verificando as condições de renda e crédito da população.

“É como verificar o capital de giro de uma pequena empresa. O setor imobiliário deve aprender que o seu crescimento precisa depender menos do governo e mais dele próprio, criando financiamentos sustentáveis. A empresa deve se antecipar ao movimento cíclico da economia”.

Já Fernando Zito afirma que uma das principais vantagens na crise foi a redução do preço dos imóveis. “Pois para realização de financiamentos imobiliários, os bancos exigiam um elevado valor de entrada, sem contar as altas taxas de juros (que agora estão caindo)”.

O economista Ricardo Valério da Costa Menezes, presidente do Conselho Regional de Economia do Rio Grande do Norte, ressalta que o mercado imobiliário viveu momentos de ouro em um passado recente, com crédito disponível e programas de incentivo do Governo Federal. Para ele, aquela situação de extremo otimismo criou um segmento artificial, fazendo com que os impactos fossem maiores quando instalada a crise.

Agora, aponta Menezes, que deve ocorrer uma estabilidade, o que é excelente. “O mercado está fazendo seus ajustes, seu dever de casa. Existiam muitas gorduras no ramo imobiliário, mas a construção civil vem se modernizando, usando de novos padrões tecnológicos para baratear os custos dos imóveis, fruto dessa lição (crise)”.

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